
É muito forte sentir o peso de cada uma das palavras, ainda que você se responsabilize por tudo que venha dizer, ainda que se tenha muito prazer em dizer,... e mais muitos "ainda-que", entre o ainda maior, que é: ainda assim ter a noção da validade perpétua e do poder de atrair e enraizar... é forte sim, é muito forte saber disso.
Palavras podem criar laços que vão mais além do que aquilo que alguns podem chamar de laços que se cortam, os laços podem ser cortados esteticamente, mas o tope apertado, doído, aquele bonitão e forte (sabe?), fica lá perpétuo, palavra que ecoa.
A voz meninoza e o timbre descompassado, tudo soa pesado quando sabe-se que alguém está ouvindo de verdade, que essas palavras serão responsáveis por um julgamento, um gesto, um conceito. A palavra está na nossa ruína e na nossa salvação.
Todo mundo diz coisas por dizer, diz o que está engasgado e/ou perdido lá dentro, por algum momento precisa-se dizer, se diz.
Quantas palavras escritas,... quanta idiotice, quem sabe. Não dá para dizer coisas por dizer, na maioria das vezes o maior acerto está em não dizer, mesmo em silêncio se diz, para confundir. Quando confusa eu me lembro das vezes que eu disse coisas e que não fui fiel totalmente, isso me incomoda, pois eu queria ter dito totalmente, eu estava inteira e queria que o ouvinte o tivesse também.
Eu gostaria de dizer tudo, mas não dá pra dizer tudo, não minusiosamente com a exatidão de um julgamento onde toda e qualquer palavra poderá ser usada contra você. Você tem que ter ao seu lado pessoas que não precisem disso, que tenham intimidade conquistada, que através de suas intensidades, do seu timbre e suas entonações, consigam ouvir o ruído do seu coração e fragmentar isso.
Foto: Marianne Maric
Devaneio e/ou argumento: Giordana Winckler