segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sapatos de cor Cinza


Que bom que um dia todos nós conseguimos chegar ao patamar de inteligência, onde conseguimos dirigir nossas emoções de forma tranquila.

Poder levantar os braços pra cima e sentir tudo leve. Poder girar todos os acontecimentos bacanas a nossa volta. Ver com as lentes novas do óculos cor de laranja moderno, as rupturas entre as cores, sentir a textura sem precisar tocar.

Coisas bacanas acontecem todos os dias, as pessoas bacanas não param de acontecer, elas se repetem incessantemente dentro do nosso coração, brota um sorriso bonito, que faz crescer todo e qualquer acontecimento, elas acontecem, acontecem. Pode-se sentir o pulsar das veias, a vida acontecendo, o cheiro do verde, a cores fortes que deram cor a aquarela de agora.

As cores amadurecem sentimentos, um dia torna-se uma mulher de vestido preto, lenço verde no pescoço, o sentar é um pouco mais centrado, já não tão inquieto. Olha-se as cores, teus sapatos eram de cor Cinza!
Giór W.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

cru-cru


Eu não sei se há motivos para dizer, nem ao menos se o querer dizer há ou houve, então agente não diz. Apreendi o silêncio dentro do meu corpo, do nosso. Sentimos o movimento, o contorcer quando acontece. O silêncio faz trilha sonora a visão belíssima diante dos olhos verdes grandes-grandes. É tudo um absurdo todos os dias, seres humanos transformam-se em felinos matutinos, um roçar, alguém faz cru-cru e um ronqui-ronqui embala o abraço singelo que não quer calar. O sono não vem mais, é só uma grande gata branca de olhos verdes e uma gata preta de olhos pequenos e castanhos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

... E tudo que era efêmero se desfez.
Ficamos só nós.

quarta-feira, 8 de julho de 2009



Dor que invade todo o teu corpo, que se espalha, que desliza e cria raízes, moradias.
Por todas as tuas vértebras tu sentes o contorcer dos sentimentos imediatos e perenes, dor que te deixa a mercê de todos os estilhaços maravilhosamente terríveis, terrivelmente sublime.
Terrível é conviver com a dor constante do movimento todo do amar e saber que te levaram todos os butiás do bolso, te levaram tudo, fostes saqueado, sim.
Todos os teus pseudo-tesouros já eram, já foram, alguém os mandou andar ou não, já não te pertences mais.
O teu terreno foi invadido, invasor absurso é esse, o senhor cheio de sutilezas, que faz morada.
Não há sorriso que não seja devorado, não há cheiro orgânico que já não seja seu, toda e qualquer parte já não te pertences mais, again, tu és o saqueado feliz.
Viver com o prazer terrível de saber que não estás sozinho lá dentro, fechas os olhos e sorri com os movimentos por todas as tuas vértebras que estendem-se ao que há de mais orgânico e verdadeiro.
Deixa ser, deixa ter, deixa existir e sê feliz, vai!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nobuyoshi Araki




sexta-feira, 15 de maio de 2009


Que todos os dias sejam os mais felizes!

terça-feira, 10 de março de 2009

O peso das palavras em devaneios por nós mesmas!


É muito forte sentir o peso de cada uma das palavras, ainda que você se responsabilize por tudo que venha dizer, ainda que se tenha muito prazer em dizer,... e mais muitos "ainda-que", entre o ainda maior, que é: ainda assim ter a noção da validade perpétua e do poder de atrair e enraizar... é forte sim, é muito forte saber disso.
Palavras podem criar laços que vão mais além do que aquilo que alguns podem chamar de laços que se cortam, os laços podem ser cortados esteticamente, mas o tope apertado, doído, aquele bonitão e forte (sabe?), fica lá perpétuo, palavra que ecoa.
A voz meninoza e o timbre descompassado, tudo soa pesado quando sabe-se que alguém está ouvindo de verdade, que essas palavras serão responsáveis por um julgamento, um gesto, um conceito. A palavra está na nossa ruína e na nossa salvação.
Todo mundo diz coisas por dizer, diz o que está engasgado e/ou perdido lá dentro, por algum momento precisa-se dizer, se diz.
Quantas palavras escritas,... quanta idiotice, quem sabe. Não dá para dizer coisas por dizer, na maioria das vezes o maior acerto está em não dizer, mesmo em silêncio se diz, para confundir. Quando confusa eu me lembro das vezes que eu disse coisas e que não fui fiel totalmente, isso me incomoda, pois eu queria ter dito totalmente, eu estava inteira e queria que o ouvinte o tivesse também.
Eu gostaria de dizer tudo, mas não dá pra dizer tudo, não minusiosamente com a exatidão de um julgamento onde toda e qualquer palavra poderá ser usada contra você. Você tem que ter ao seu lado pessoas que não precisem disso, que tenham intimidade conquistada, que através de suas intensidades, do seu timbre e suas entonações, consigam ouvir o ruído do seu coração e fragmentar isso.
Foto: Marianne Maric
Devaneio e/ou argumento: Giordana Winckler